Brasil congela a Selic em 15 % e o Tesouro Selic perde brilho diante da inflação
A rentabilidade real do Tesouro Selic foi afetada diante da decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em uma tentativa de conter a inflação.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil decidiu manter a taxa Selic em 15 % ao ano, o nível mais alto em quase vinte anos.
A medida, justificada como uma ferramenta para conter a inflação, gerou de imediato reações no mercado e abriu um intenso debate sobre seus efeitos na economia.
A reação não tardou a se fazer sentir, a Selic, longe de gerar confiança plena, acabou intensificando o debate entre analistas e gestores.
Embora os títulos do Tesouro Selic ofereçam um rendimento bruto próximo de 13 % nos últimos 12 meses, grande parte desse ganho se dilui entre inflação, impostos e comissões, deixando uma rentabilidade real limitada.
Efeito sobre investimentos em Tesouro Direto
O crédito mais caro freia o consumo das famílias, eleva a inadimplência em empréstimos e paralisa investimentos em setores como construção, indústria e comércio. “Está-se pagando a estabilidade de preços com recessão”, afirmam consultores de mercado.
O mercado projeta que apenas em 2026 começariam os cortes da Selic, desde que a inflação confirme sua tendência de queda.
Até lá, o Brasil permanece preso em uma paradoxa: um Tesouro Selic que oferece segurança no curto prazo, mas um ambiente macroeconômico enfraquecido, com risco de mais desemprego, baixo crescimento e perda de competitividade frente a outros países emergentes com políticas monetárias menos restritivas.
Investimentos em ativos de refúgio seguro

Diante desse cenário, surgem alternativas mais rentáveis na visão dos economistas, e a mais clara é o investimento em Ouro, que alcançou seu recorde histórico.
No acumulado de 2025, a onça de ouro disparou mais de 22 % nos mercados internacionais, atingindo níveis históricos acima de US$ 2.600.
A incerteza global, somada ao temor de uma recessão prolongada nas economias desenvolvidas, reforçou seu papel como reserva de valor.
No Brasil, o interesse pelo metal se acelerou tanto no mercado varejista quanto no institucional: fundos de investimento ampliaram sua exposição ao ouro e os bancos relatam aumento na demanda por ETFs lastreados no metal.
Cada vez mais poupadores individuais também buscam alternativas, e plataformas como a Tradear tornaram-se uma das vias escolhidas em nosso país para canalizar essa demanda para o ouro.
Especialistas consultados destacam que, diferentemente do Tesouro Selic, cuja rentabilidade depende diretamente da política monetária e é corroída pela inflação, o Ouro mantém um caráter anticíclico e tende a se valorizar em períodos de instabilidade.
“Quando a taxa de juros deixa de ser um incentivo real, o ouro se transforma na alternativa mais clara para preservar poder aquisitivo e diversificar portfólios”, aponta um relatório da Tradear, corretora especializada em investimentos globais que já oferece acesso direto a esse tipo de ativo.
O atrativo do Ouro se soma a um contexto no qual os investidores buscam proteção diante da volatilidade cambial e da pressão inflacionária que ainda atinge o Brasil.
Para muitos, mais que uma aposta especulativa, trata-se de uma estratégia defensiva que ganha força enquanto o país aguarda sinais mais claros sobre os rumos da economia em 2026.